MERCADO TRABALHO: Cadeirante entrega comida por aplicativo na principal avenida da Capital Paulista

Com dificuldades de locomoção desde a infância, por causa da poliomielite, o entregador passou a usar cadeira de rodas há dois anos, quando perdeu totalmente os movimentos das pernas
Matéria publicada em 18/2/2020 pelo portal Tilt do Uol Leia na íntegra




Imagem: Cortesia/Luciney Martins/O SÃO PAULO

O serviço dos aplicativos de entrega de comida revolucionou a maneira como boa parte dos brasileiros se alimentam atualmente e ampliou o campo de trabalho para quem precisa de dinheiro extra. Destoando dos motoqueiros e ciclistas que são costumeiros nesta função, o cadeirante Luciano Oliveira, de 44 anos, encontrou neste ramo uma forma de sustentar a família.

A área de atuação dele é a avenida Paulista, localizada na região central da Capital Paulista. Como regra, avisa ao cliente que fez o pedido pelo app da sua condição, que a entrega será feita de cadeira de rodas. O entregador relata que muitas vezes, o pedido é cancelado, pois tem pessoas que não querem esperar o tempo da entrega.

"Acham que eu vou levar a comida de camelo", ironiza. Ele avalia que costuma demorar, em algumas situações, o dobro de tempo de um entregador em uma bicicleta. Mas, outros clientes não se importam com sua forma de transporte e mantém o pedido. 

A jovem chamada Natasha, que trabalha na Avenida, não se surpreende ao ver que o entregador é cadeirante. "Ele já me havia avisado sobre isso pelo aplicativo, assim que pegou o pedido. Achei incrível. Isso é muito legal", afirma a cliente, dando suporte ao profissional.

Antes de entregar comidas por meio de aplicativos, ele ficou desempregado por cerca de um ano. Enviou currículos a diferentes empresas e não conseguiu nada. Tentou se aposentar por invalidez, mas o médico afirmou que ele tinha capacidade de trabalhar.

Diante da necessidade, após ser aconselhado por uma amiga, Luciano se inscreveu em plataformas de entregas de comida. "Foi a única opção", afirma. Há três meses, ele começou a atuar com os aplicativos de Uber Eats, iFood e Rappi. A rotina de entregador começa por volta das 10 horas, quando ele sai de casa, na Zona Leste da Capital, e leva cerca de uma hora e meia até a Avenida Paulista para começar a fazer as entregas.

O cadeirante trabalha de cinco a seis dias por semana. Durante o dia, faz de quatro a cinco entregas ao longo de, aproximadamente, oito horas. O trabalhador estima andar cerca de seis quilômetros diariamente. Afirma que já chegou a levar duas horas para fazer uma entrega. Por mês ele ganha 400 reais, única fonte de renda que dispõe para ajudar a esposa.

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