MERCADO DE TRABALHO - Estudo inédito apresenta o Raio X da surdez no Brasil

Brasileiros com deficiência auditiva têm metade do acesso ao ensino superior e quatro vezes mais ausência de escolaridade



Matéria publicada em Cartão de Visita News em 9/10/2019 - Acesse aqui para ler


Com uma população de surdos de 10,7 milhões, que movimentam R$ 576,6 bilhões em renda própria (rendimento provenientes de todas as fontes, incluindo trabalhos, aposentadorias, e outras fontes de rendimento) por ano, o Brasil ainda enfrenta barreiras para a inserção dessas pessoas, principalmente no ensino superior e consequentemente no mercado de trabalho.

Um levantamento do Instituto Locomotiva, em parceria com a Semana da Acessibilidade Surda, aponta que apenas 37% dos surdos estão no mercado de trabalho. Idealizado pela jornalista Millena Machado, o projeto que mapeou a situação das pessoas com deficiência auditiva no Brasil revelou que  9% das pessoas com deficiência auditiva nasceram com a deficiência; 91% adquiriram ao longo da vida; das pessoas que adquiriram a deficiência auditiva, metade foi antes dos 50 anos; 1/3 desenvolveu a deficiência antes dos 34 anos; 7% dizem frequentar algum tipo de serviço de reabilitação e só 13% afirmam utilizar aparelho para auxiliar na audição. Um outro dado relevante aponta que, das pessoas com deficiência auditiva, 28% declaram ter também algum tipo de deficiência visual e 2%, deficiência intelectual.

Isso evidenciou que o tema da deficiência auditiva se tornará cada vez mais urgente, uma vez que também foi percebido que deficiência auditiva atinge homens e mulheres, de todas as idades, especialmente os idosos, e com o rápido envelhecimento da população - a expectativa de vida vai superar os 81 anos até 2050.

A pesquisa também revelou que 2 em cada 3 brasileiros com deficiência auditiva afirmam ter dificuldade com alguma atividade cotidiana, impactando na vida social. Pelo menos 14% dos brasileiros com problemas auditivos afirma não se sentir à vontade e poder falar sobre quase tudo com a família, 40% sente isso em relação aos amigos, contra 11% e 34% da população de forma geral, respectivamente.


Já quando se fala em saúde, a realidade das pessoas com deficiência auditiva gera pouco entusiamos e quase nenhum otimismo: 14% dos deficientes auditivos afirma ter deixado de realizar alguma atividade habitual recentemente por motivo de saúde. Entre aqueles com deficiência severa, esse percentual atingiu 20%, o que significa dizer que as pessoas com deficiência auditiva severa têm três vezes mais chance de sofrerem discriminação em serviços de saúde.




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