VIOLÊNCIA - Funcionário surdo é torturado em supermercado no Rio Grande do Sul

A agressão, registrada em um vídeo, teria acontecido no dia 26 de setembro - data instituída como Dia Nacional do Surdo


Matéria publicada no portal Pioneiro em 08/10/2019 - Acesse aqui para ler

Vídeo publicado pela canal do youtube Pioneira
Um deficiente auditivo, de 22 anos, funcionário de um supermercado, foi torturado por colegas de trabalho, na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. O boletim ocorrência foi registrado no dia 26 de setembro, coincidentemente data instituída como o Dia Nacional do Surdo. 


Foi durante a comemoração na Escola Estadual Especial Helen Keller, que a mãe da vítima soube de um vídeo que circulava mostrando o momento das agressões e, acompanhada de uma professora, procurou a delegacia. O vídeo mostra a vítima com os braços amarrados e presos no corrimão de uma escada. Ele é chamado de mudinho e tenta se soltar. 


O agressor filma e pede que o jovem  mande um beijo para a câmera enquanto outras pessoas observam e dão risada. Ela contou à polícia que o filho trabalha há cinco anos no supermercado e já teria sido alvo de "brincadeiras" de um repositor e um açougueiro, só que desta vez a situação havia passado dos limites. 


A Polícia Civil investiga a denúncia como tortura e injúria racial, também é analisado pela Gerência do Trabalho de Caxias, ligada à Secretaria do Trabalho do Ministério da Economia, que classifica o caso como um assédio moral horizontal, quando é praticado pelos colegas. 


Os dois funcionários que participam do vídeo foram identificados e demitidos por justa causa, logo que a empresa tomou conhecimento do fato, após a divulgação das imagens em redes sociais. Em nota, o supermercado repudiou a ação dos dois ex-funcionários e informou que trabalha no acolhimento da vítima.




Empresa repudia ações

Em nota, o Grupo Andreazza expressou total repúdio aos eventos lamentáveis e informou que a responsabilidade pelo fato foi apurada imediatamente e os envolvidos desligados da empresa. Confira, na íntegra, a nota divulgada nesta terça (8):


"O Grupo Andreazza tem sua trajetória marcada pelo respeito à diversidade e dignidade humana. Acreditamos na boa convivência das diferenças como parte essencial na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Com relação aos eventos lamentáveis ocorridos em nossa unidade no bairro Lourdes, em Caxias do Sul, expressamos nosso total repúdio. Esse caso, nada condizente com o posicionamento do Grupo, já recebeu nossa devida atenção, e acompanhamos de perto desde que dele tomamos conhecimento.


Informamos que a responsabilidade pelo fato já foi apurada e os envolvidos desligados da nossa empresa, bem como nossa solidariedade e suporte ao funcionário acometido por ela, além de sua família. Desde 2009, o Grupo Andreazza contrata e acolhe pessoas com deficiência (PcD), sempre atento às necessidades específicas e à satisfação de cada um. Premiado e amplamente reconhecido, o programa "Eficiência em Ação" desenvolve a criatividade, o trabalho em equipe e as habilidades dos funcionários com deficiência, além de disseminar em todo Grupo a importância do respeito à diversidade.



O Grupo Andreazza reforça seu comprometimento com o bem-estar de funcionários, fornecedores e clientes que nos visitam todos os dias. Ainda, nos colocamos à disposição das autoridades competentes para possíveis esclarecimentos complementares."

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