MODA: Marcas apostam em roupas adaptadas para pessoas com deficiência

A empresa Riachuelo lançou em dezembro a primeira linha inclusiva. Toda a coleção foi desenhada pelo estilista Alexandre Herchcovitch



Matéria publicada em 26/12/19 pelo portal Universa do Uol Leia na íntegra



Selma de Oliveira Almeida Ferreira, participante da oficina.

Imagem: Taba Benedicto/Estadão Conteúdo


Desde 2017, a aposentada Selma Oliveira Almeida Ferreira, de 56 anos, não usava uma legging. Renata Viana, de 39 anos, tinha o sonho de voltar a sair de jeans. Daniel Silva de Souza, de 30 anos, não queria mais esconder a prótese. Após participarem de uma oficina na Rede de Reabilitação Lucy Montoro, os três, que têm deficiência, reformaram peças que haviam deixado de usar e perceberam que a moda pode ser inclusiva.


Buscando incluir pessoas deficientes na moda, marcas do ramo têxtil estão investindo em linhas adaptadas e focadas neste público, para estimular a autoestima, conforto e autonomia. "Quando tem um problema de saúde, a gente deixa de querer se arrumar. Eu só usava calças largas para poder usar com a prótese, mas não usava legging desde a amputação", conta Selma, que precisou fazer o procedimento após complicações que teve em uma cirurgia.

Há 12 anos, a estilista Daniela Auler desenvolveu um projeto de moda inclusiva na Rede Lucy Montoro. "A moda inclusiva é pensada na diversidade dos corpos e é sustentável, porque, em uma calça que seria jogada fora, podemos abrir a lateral e colocar um zíper. Isso facilita na hora de se vestir", exemplifica.

Marcas e coleções focadas nesse público têm surgido com a proposta de peças atemporais e funcionais. Em dezembro, a Riachuelo lançou sua primeira linha inclusiva. Desenhada pelo estilista Alexandre Herchcovitch, a coleção tem bolsos embutidos e velcro ou elástico para fechar as peças. Segundo a marca, a concepção das roupas teve consultoria da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel crê que o ramo deve crescer. "Ainda tem um longo caminho, mas vai crescer porque é preciso pensar em todos e pensando no design, na forma para as pessoas ficarem bem.

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