SAÚDE: Pesquisa mostra que cegos de nascença estão protegidos da esquizofrenia

 Cegueira congênita não protege contra outras doenças mentais como transtornos alimentares e aracnofobia 

Matéria publicada em 17/2/2020 pela revista Vice Leia na íntegra



Nos últimos 60 anos, cientistas de todo o mundo observam o mistério por trás da inexistência de nascidos cegos que tenham apresentado quadro de esquizofrenia. Em 2018, um estudo liderado pela pesquisadora Vera Morgan, da Universidade da Austrália Ocidental, observou quase meio milhão de crianças nascidas cegas entre 1980 e 2001, e nenhuma apresentou a doença psiquiátrica, fortalecendo a tese.

Essas descobertas sugerem que algo na cegueira congênita pode proteger uma pessoa da doença psiquiátrica. O que causa estranheza nos pesquisadores é o fato de a cegueira congênita muitas vezes ocorrer devido a
 infecções, trauma cerebral ou mutação genética – fatores que não têm associação com transtornos psicóticos.

A constatação desta situação contraria o fato de a perda da visão em outras fases da vida de um paciente aumentar o risco do aparecimento da esquizofrenia e outros transtornos mentais. Até mesmo pessoas saudáveis, quando bloqueada a visão por apenas alguns dias, pode ter alucinações.

Em 2004, um experimento com 13 pessoas saudáveis que foram vendadas por 96 horas mostrou que 10 delas relataram ter alucinações visuais entre o primeiro e o segundo dia no escuro. Um dos participantes, uma mulher de 29 anos, viu um rosto verde com olhos grandes quando estava na frente de lugar que ela sabia que tinha um espelho – mesmo não podendo vê-lo. Isso mostra que outros tipos de cegueira, mesmo a temporária, podem levar a um desequilíbrio psicológico. 

Porém, a cegueira congênita não protege o indivíduo contra outras doenças mentais, então essa não é uma salvaguarda geral. Cegos de nascença mostraram transtornos alimentares e aracnofobia – uma pessoa pode ter esse distúrbio sem nunca ter visto seu corpo ou uma aranha. 


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